Londres, terça-feira, 29 de Maio.

Querido Darren, 

No momento que você abrir essa carta, provavelmente todas as lembranças voltarão à tona. Dói imaginar o quanto você está com raiva de mim. Provavelmente eu já estarei longe daqui, lembrando do passado e (talvez, só depende de você) pensando “Lá se vai o meu melhor amigo”.

Gostaria de te contar uma historinha, que um dia, se você ingressar de verdade nesse ramo teatral (e eu tenho certeza que você vai), talvez você possa dirigir um teatro contando essa história. 

“Era uma vez um Menino, que não era amigo de quase ninguém. Certo dia, apareceu na vida dele um outro Garoto, novato na escola. O Garoto era como ele, de poucos amigos. Gostava de dizer que qualidade era mais importante que quantidade, mas achou que aquele Menino fosse digno dos tais poucos amigos que ele contava nos dedos de sua mão direita.

Os dois de tornaram inseparáveis. Mas a amizade só é colocada em prova quando há um perigo iminente, quando ambos são obrigados a provar o valor daquela amizade. E então apareceu a Menina. 

Pode-se dizer que no começo não havia com o que se preocupar, tanto pela diferença de idade, quanto a pouca idade dos três. Eles eram crianças. Mas cresceram, e, junto com eles, os problemas. A Menina se tornou mulher, e não havia uma pessoa sequer que conseguisse não olhar para ela. A Menina era deslumbrante. Logo, o Garoto ficou interessado. Não só interessado, como também apaixonado. Os bilhetinhos que o Menino e o Garoto trocavam na aula, rapidamente se transformaram. Antes video-game, agora apenas a Menina era o foco. 

O Menino entristeceu-se.

Ele tinha ciúme. Não sabia se pelo amigo apaixonado, ou ciúmes da Menina. O Menino começou a vê-la com outros olhos, tentando entender o que se passava na cabeça do Garoto. E então ele entendeu. A Barbie tinha crescido de verdade. Os cabelos loiros voando ao vento e o constante sorriso que antes passavam um ar de criança levada, agora mostravam o que a Menina tinha se tornado. E o Menino não gostou do que viu. Preferia a criança frágil, que o forçava a brincar de “casinha”, a aquela mulher fútil, que não media esforços para nada. Mas, ao contrário, o Garoto gostou. E eles começaram a namorar. Mesmo com os avisos do amigo, o Garoto não se intimidou. E saiu machucado.

O ciúme se transformou em raiva. Mesmo que hoje o Menino esteja muito arrependido, não há como apagar o passado, como num passe de mágica. Ele sentiu algo que nunca tinha sentido antes. O Menino começou a ter vontade de passar mais e mais tempo com aquela Menina. Isso o deixava com mais raiva ainda.

Mas o Menino era jovem (e ainda é), então não conseguiu entender o que se passava dentro da sua própria cabeça. Ele foi pra faculdade. Não queria nunca mais ver a Menina. Não perdeu contato com o Garoto nem um dia sequer, pois não conseguia imaginar-se sem o melhor amigo.

E então aconteceu. O Menino soube onde a Menina estava estudando. Todas as sensações voltaram imediadamente, mesmo que ele não quisesse. O Menino foi atrás.

Já com vinte anos, muitos diriam que não era mais um Menino, e sim um Homem. Mas um homem não faria o que ele fez. Deixou-se levar pelo sentimento que imaginava sentir, e fez incontáveis bobagens. Sabia que o Garoto ainda era apaixonado pela Menina, mas mesmo assim não conseguia tirá-la da cabeça.

O Menino queria crescer, e teve que fazer isso na marra, mesmo sabendo que poderia perder tudo com o que se importava de verdade. Ele contou pro Garoto. Mas faltava alguma coisa. Alguma coisa não estava se encaixando.

E o Menino descobriu. Passou vários dias pensando no assunto, e enfim tomou coragem de fazer uma carta para o Garoto.

Ele só espera que o Garoto leia essa carta, por mais que esteja com raiva.

É uma longa história, que o Menino tentará resumir em poucas linhas: 

Desde pequeno, o Menino convivia com a Menina. Sim, brigavam muito. Brigavam como primos, como irmãos. O tempo todo. Ela é mais nova três anos. Isso o fazia se sentir superior, mas de um jeito bom. O Menino cuidava da Menina. Ele sempre estava lá para dar bronca na hora certa. Porque o Menino sabia que a Menina o ouvia muito mais do que ouvia os seus próprios pais, do que ouvia as pessoas mais velhas. É das natureza adolescente, certo? O Menino era rígido, porque se preocupava muito com a Menina. Se acontecesse algo com ela, ele nunca se perdoaria. Mas toda essa pressão fez com que o clima ficasse pesado. A Menina o odiava por isso. Ele não tinha permissão para tratá-la, cuidar dela daquela maneira. Afinal, eles nem ao menos eram da mesma família. Mas o Menino sentia que eram. Porém ele era muito novo, e acabou não percebendo isso. Ele confundiu. Ô se fosse alguns anos mais velho, se fosse ao menos mais experiente. O Menino não sabia o que estava fazendo, pelo menos não naquele momento. Ele não percebeu. Não percebeu que todo aquele cuidado, toda a preocupação, todo o medo e a raiva de a Menina machucar outras pessoas, ou de sair machucada…

Ele não percebeu que tinha a Menina como uma irmã mais nova.”

Darren, o resto da história acho que você já imagina. O meu estágio era de apenas um semestre. Eu voltei para casa, mas não consigo me livrar dessa sensação de que deixei algo para trás.

Sinto saudade do meu melhor amigo.

Ao terminar de ler essa carta, por favor, me procure. Se você não me procurar, vou entender que não me perdoa. Eu entendo o seu lado, Darren. Só espero que você também entenda o meu.

Gale.


Anonymous asked: >> Quem é seu(a) melhor amigo(a) e inimigo(a) da Spring Art?

Melhor amigo: Darren. Espero que ele me perdoe um dia. 

Não tenho inimigos, eu acho. Só não vou com a cara do Lucas Dekker e dos amiguinhos dele. 


You see right through me ~Annabale

aj-evans:

Tá brincando?” Pisquei várias vezes. Ele tá brincando em me perguntar isso? É claro que eu estouo sendo séria! Seríssima! Séria de morrer. “Você é a Bel de novo.” Olhei pra ele com carinho e sorri. Que bobo. Mas esse não era o ponto agora. Eu preciso de um espelho e um adstringente. Sei bem como essa maquiagem de pobre pode ser difícil de se tirar do rosto e eu posso passar horas aqui tentando me livrar dela. Ai, as noites que eu dormi com isso nos meus poros! Vou precisar de uma semana de spa pra me livrar de uma intoxicação.
O Gale meio que tropeçou e foi pegar o celular na mesa, foi engraçado. Eu procuraria um espelho na minha bolsa, mas eu sei que não vou ter nenhum lá. Costumava ter, mas eu joguei fora. Preciso comprar um novo, por falar nisso. 

Não está tão ruim, viu?” Peguei o celular do Gale e coloquei na frente do rosto. Ai. Meu. Deus. Vi meu reflexo arregalar os olhos. Balancei a mão no ar, procurando o braço do Gale ou qualquer coisa onde me segurar. Encontrei o braço dele. “Só parece algum tipo de máscara mal feita, na melhor das hipóteses. Me lembra um pouco a menina de “O chamado”. Nada tão marcante.” Apertei minha mão ao redor do braço do Gale, pra machucar mesmo. Isso não é hora de se brincar! Eu estou horrenda! E eu nem vou comentar no meu cabelo desbotando. Ar, cadê o ar? Janela está muito longe. Deixei o celular sobre a cadeira mais próxima, tentando esquecer do que tinha visto e ouvido do sempre sincero Gale, que não sabe a hora de brincar com coisa séria. Passei as duas mãos pelos cabelos, prendendo-os entre os dedos.

Sinto falta do seu cabelo loiro.” Eu posso bater nele? Uma hora dessas e ele ainda insiste em falar do tempo em que eu era linda e não essa bagunça de agora? Alguém, por favor, me aponta o salão mais próximo. Eu preciso passar um dia lá pra me desintoxicar. Olhei em volta. 
Entendo se você não quiser sair da sala enquanto não melhorar isso.” Que bom, porque eu não vou! Preciso ligar pra Alex e pedir pra ela trazer ajuda. “Eu tava com saudade desse seu lado, Bel. Na verdade, eu tava com saudade da Bel por inteiro, cada detalhe. Ainda bem que você está de volta.” Respirei fundo, cansada. Enquanto eu estava me preocupando com o meu rosto (que não é, de forma alguma, menos importante), o Gale estava sendo super fofo comigo. Mordi o canto da boca, segurando um sorriso. Ele é com certeza o melhor cara que eu já conheci nessa vida. Tirando a parte de ficar brigando comigo, é claro. Ia começar meu monólogo sobre como ele deveria chamar a Alex aqui nesse instante, quando o vi se inclinar na minha direção. 

Eu não deveria fazer isso. Não deveria nem pensar a respeito. Eu e ele sabemos onde isso terminou da última vez, e… Mas ele é tão doce! Fechei os olhos e parei de pensar no lado negativo disso tudo. Aproximei-me mais dele, colocando os braços ao redor do seu pescoço. Não gosto de como eu me torno vulnerável quando estou perto do Gale. 
- Espera. - Sussurrei, separando o beijo. Continuei com o rosto perto do dele e as mãos em sua nuca. - Você tem certeza disso? Quer dizer… eu não quero que acabe mal como da última vez. - Não quero o Gale com raiva de mim e eu com raiva de mim… eu realmente detesto ficar com raiva de mim. - Se não tiver, tudo bem… - Me afastei um pouco mais, tirei as mãos do pescoço dele e o olhei com honestidade. - Ainda tem o Darren. - Falei, baixinho. Não queria falar sobre ele, mas não é como se nós dois pudéssemos ignorar o fato de que o melhor amigo do Gale que acontece de ser apaixonado por mim está trabalhando aqui na Spring Art. - Eu não quero me colocar entre vocês. - Não mesmo. Sei muito bem que o Gale me detesta tanto porque eu já quebrei o coração do Darren uma vez. 

Não sei muito bem o que me veio na cabeça para tê-la beijado. Esse é o problema de estar perto da Bel; Tudo parece tão distante, e de repente tudo o que existe é ela na minha frente. Não há mais chão, não há mais nenhum som, nenhum espaço. Só tem ela. E parece tão… Certo. Qualquer tipo de ponto negativo em relação a Bel e ao que a gente está fazendo sai da minha cabeça no mesmo instante. Por que deveria ser errado? A minha época de me culpar por tudo que acontecia ao redor já passou. O que eu precisava mesmo era ver que nem tudo era tão negativo quanto eu pensava ser. Deixar as coisas se resolverem por si só, parar de pensar a cada passo dado. Ter uma vida projetada não vai me ajudar em nada se eu não aproveitar o agora. E não há outro lugar que eu deseje mais do que estar ao lado da Bel.
Passei todos esses anos fugindo e evitando esse sentimento, enquanto o melhor era ter sido homem o bastante para ter enfrentado isso de uma vez, não um moleque correndo de uma paixonite. A Annabel é muito mais do que uma simples paixonite do colegial, e eu fugia com medo do quanto isso iria me afetar. Medo de assumir pra mim mesmo. Demorei muito para perceber que não é nenhum pesadelo para eu ter qualquer tipo de medo. Não é errado estar com ela.

“Espera.” Não existem palavras para descrever o quanto eu me sinto bem de abrir os olhos e encontrar a Bel na minha frente. Não sei como eu aguentei tantos anos sem ao menos vê-la. “Você tem certeza disso? Quer dizer… eu não quero que acabe mal como da última vez.” Por mais que a última vez tenha acabado realmente mal, tudo que eu consigo ver é o lado positivo daquela noite. Eu sonhei com aquilo desde a época que a Bel ainda era a minha vizinha. Na época que eu a conheci e me apaixonei. Mas eu não posso ser tão egoísta assim. Cansei de sempre pensar o meu lado, e sempre fazer alguém sair machucado. Até hoje não engoli aquela da namorada da Bel, ou ex, ter caído da escada e quebrado a perna exatamente no dia e hora que eu tava no quarto dela. E era pra tal Daffy estar viajando. Não foi coincidência. Elas terminaram por minha causa, o Lucas não estava errado em me bater, afinal.

Se não tiver, tudo bem…” Acho que a verdade é que eu não tenho. Parece que o mundo conspira contra a gente. “Ainda tem o Darren.” Ah, o Darren. Isso complica mais ainda. Sinto como se eu estivesse sendo falso com ele o tempo todo, como se o estivesse usando. Mas não é nada disso. Ou é? Engoli em seco. Não, eu não sou assim. E eu ainda vou provar isso pra ele. “Eu não quero me colocar entre vocês.” Voltei o olhar pra ela mais uma vez. Parecia que agora tinha uma enorme barreira entre a gente.
- Não pensa assim, Bel. Não é culpa sua. - Queria ir até ela e afagar o seu cabelo, mas me contive. Continuei no mesmo lugar, sem saber o que fazer. Não sei o que é pior: Perder meu melhor amigo, ou perder a chance de ter a garota que eu amo. Do jeito que eu estou, vou conseguir perder os dois. Incrível como eu consigo piorar a situação, por mais ridícula que ela esteja.

- O Darren é… Confuso. Mais confuso que eu, como se fosse possível. - Olhei do lado de fora da janela, onde tava todo mundo se divertindo no gramado. Por que meus dias não podem ser assim? O drama me acompanha, sempre. - Eu contei pra ele, Bel. - Falei, ainda sem tirar os olhos da janela. - A reação não foi muito boa. - Ah, como eu queria que fosse mais simples. O garotinho gosta da garotinha e vice-versa, e eles vivem felizes para sempre. Ninguém contou que no meio da história existiriam tantos empecilhos.


dr-sheffer:

Você poderia descontar sua carência em qualquer garota, menos nela.

E você ta dizendo que a Bel agora é… lésbica? ~ lê baixinho ~

Ela é Bi. Todo mundo é bi hoje em dia, Darren. Você é bi. Não é estranho.

Darren, já disse, foi coisa do momento. Ela tava triste, com saudades da namorada, eu tava lá… Se fosse qualquer outra pessoa, seria a mesma coisa. Você sabe como a Annabel é.


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dr-sheffer:

Carência? Pff, contra outra.

Wait… NAMORADA? O que você quis dizer com isso? 

É, carência, Darren. Ou você acha que ela fez isso porque me ama? Ela me odeia, você sabe bem disso.

Daffiny Vowth. Acho que é isso. Mas elas já terminaram.


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dr-sheffer:

Conversar? Acho que ja está tudo bem esclarecido pra mim, Gale.

Não, não está nada esclarecido. Foi um momento de carência, acho que tanto minha quanto dela, que tava sem a namorada. Foi só isso. Não vai mais acontecer.


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Quero começar a ler um novo autor

mwazowski:

Eu concordo. Mas se todo mundo fosse como eu, a disputa pra ser professor seria muito grande. E quanto às Crônicas de Gelo e Fogo? Eu vi uns episódios da série, mas nunca li.

Game of Thrones é muito bom, tanto que tem uma das maiores audiências da TV, né? Acho que li sobre isso uns dias atrás. Mas como qualquer seriado ou filme, o livro é bem mais detalhado. E não há comparação entre ler, imaginar todos os personagens e cena, com ver o seriado na TV, onde tudo já está arrumadinho. Me decepcionei um pouco. Indico mais o livro.


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Quero começar a ler um novo autor

mwazowski:

Olá, leitor de John Green. Confesso que ouvi falar sobre ele, mas nunca li… você tem algum título preferido? Eu sou Melanie, a propósito.  E Gale, Stephen King parece bom. Terror pra espantar a pressão das provas finais vindo por aí. Você acha que eu consigo encontrar algum dele na biblioteca? 

Acho que sim. Os alunos do internato estão muito mais uma festa do que ler um livro. É uma pena eles não serem como você. Deve ter um monte na biblioteca.


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Quero começar a ler um novo autor

tristanlefleur:

mwazowski:

Gale, você teria alguma sugestão? Estou aceitando tudo: romance policial, ficção científica, terror, só quero algo legal pra passar o tempo. 

John Green é meu autor favorito no momento. Amo os livros dele. Mas a maioria fala sobre morte e temas pesados. Não é pra todo mundo. 

Ei, Melanie! Olha, eu sou suspeito pra falar porque sou muito viciado em todos os livros do Stephen King. São os melhores livros de terror, com certeza. Gosto muito das Crônicas de Gelo e Fogo também. E mesmo que seja clichê e talvez você já tenha lido… Senhor dos Anéis. Li todos, é muito bom.